terça-feira, 26 de setembro de 2017

O que é Gênero?

Gênero é um óculos com o qual enxergamos o mundo, mas que a maioria das pessoas não sabe que o usa.

terça-feira, 12 de setembro de 2017

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

CARTA ABERTA

Saudações!

Entrei na Rede Sustentabilidade em 2014, estimulada por amigos íntimos, que eram seus integrantes, e fascinada com as suas propostas de transformação social e política, fundamentadas em um discurso de valorização da diversidade humana, inclusão e sustentabilidade, as quais, a meu ver, seguem válidas.

Desde então, tenho buscado ser uma operária, em prol das iniciativas do partido, considerando minhas limitações de tempo, as quais reconheço, decorrentes do meu trabalho docente, como professora do Instituto Federal do Rio de Janeiro, no município de Belford Roxo, Baixada Fluminense, e do ativismo intelectual nos movimentos de direitos humanos, principalmente os feministas, de mulheres, população negra, de lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais, intersexuais, e pela educação pública, gratuita e de qualidade.

Nesse meio tempo, além de ter feito parte do Comitê de Ética da Rede Carioca (cujas comunicações cessaram sem qualquer explicação), fui nomeada integrante do Conselho Curador da Fundação Rede Brasil Sustentável, que objetiva divulgar os princípios do partido a partir da promoção de estudos sobre inovação na política (a qual ainda não promoveu discussões, entre seus conselheiros, acerca desse ideário).

Chego a um ponto desta caminhada político-partidária em que, somando diferentes episódios, avalio que minha continuação no partido não tem sido aproveitada: não em decorrência das minhas limitações, mas por falta de comunicação assertiva e de orientações regulares sobre os rumos que poderiam ser ou seriam tomados coletivamente e de forma horizontal.

Entendo que tenho muito a contribuir, por meio da militância partidária, para a construção de um Brasil verdadeiramente democrático e socialmente justo, porém não tenho observado que a minha presença na Rede Sustentabilidade faça a diferença – isso por razões aquém ao que penso e faço como afiliada.

Assim, em busca de novos compromissos e rumos, torno pública a minha desfiliação do partido Rede Sustentabilidade.

Estou repleta de vontade para atuar, de forma produtiva, em uma agremiação que me demonstra estar composta por gente consciente dos vários e complexos desafios que nós, cidadãos brasileiros, enfrentamos diariamente, e que se foca em agir, pelos caminhos institucionais, pela formação de um país e um mundo menos desigual. Por isso anuncio a minha filiação ao Partido Verde (PV).

Tomei essa decisão após acompanhar, pessoalmente, as ricas discussões e o empolgante engajamento de seus integrantes, durante o Encontro Nacional da Juventude do PV, ocorrido semana passada, na Cidade de São Paulo.

Enfim, desejo boa sorte aos colegas que permanecem na Rede, determinados a tornarem seus princípios em práticas efetivas.

E expresso, aos meus novos colegas do PV, a mais sincera intenção de, junto a vocês, participar das lutas por outros Brasis e mundos possíveis, sempre respeitando os doze valores do partido: Ecologia; Cidadania; Democracia; Justiça Social; Liberdade; Municipalismo; Espiritualidade; Pacifismo; Diversidade; Internacionalismo; Cidadania Feminina e Saber!

Abraços Verdes,
Jaqueline Gomes de Jesus

Rio de Janeiro/RJ, 11 de setembro de 2017.

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Sobre Ivana de A Força do Querer

Eu me senti aliviada quando a epifania* de Ivan(a) - personagem da novela A Força do Querer, enfim ocorreu: "É isso que eu sou, um homem trans!", eis o discurso com o qual o Ivan(a) se reconheceu.

* Epifania é um termo técnico para o momento em que a pessoa trans se toca da sua identidade de gênero.

Ver e ouvir Elis Miranda e Ivan(a) me deixa mais orgulhosa de ser uma mulher trans - e olha que eu já amo ser uma mulher trans!

Tudo bem que a situação utilizada para explicitar a condição não ocorre na vida "real", isso é o de menos, pois a cena foi extremamente didática - tanto para o personagem quanto, principalmente, para os espectadores leigos. Perfeita linguagem ficcional para quem não tem o mínimo de reflexão sobre gênero, para além do senso comum.

Apesar de falhas conceituais aqui e ali, considero que a novela, como complexa produção audiovisual, escrita e produzida por dezenas de pessoas, tem sido, de forma geral, bastante positiva para a visibilidade trans.

E saibam: eu não escrevo aqui babando a Rede Globo. Não preciso nem quero isso. Apenas acho necessário reconhecer o belo e importante trabalho que tem sido feito (ao contrário das outras emissoras, que nada ou mal têm feito).

A ficção é um campo em que as discussões sobre a população trans são raras, muita informação é produzida em forma de postagens, artigos, ensaios, artigos científicos e até livros, porém muito pouco no formato de filmes, peças, novelas, etc.

Essa área é estratégica para o reconhecimento da humanidade das pessoas trans - algo ainda em construção no Brasil.

Para superar os medos e preconceitos não basta apenas informar, é preciso gerar empatia, por meio do afeto, daquela dimensão que as artes, com o seu saber-fazer, potencializam, para além do verbal, por meio das palavras mas tocando os corações, não só as mentes.

Um dos mais poderosos caminhos para a superação do medo do que não conhecemos - termo técnico: hostilidade autística - é a proximidade, a convivência. Ela não resolve tudo por si só, entretanto torna mais familiar o que antes era estranho ou até mesmo inimaginável.

A presença qualificada de personagens como Ivan(a) e Elis Miranda, com suas possibilidades e limitações, na cena televisiva, aproxima milhares de pessoas cis - que não são trans - das pessoas trans. Isso também é uma forma de convivência, e faz toda a diferença no mundo das relações pessoais.

Recebo com bastante entusiasmo e esperança as repercussões da novela.

Parabenizo Glória Perez e toda a equipe que trabalha para dar coesão a essa obra coletiva, ao mesmo tempo em que insisto para que os movimentos trans - tanto o organizado quanto os autônomos - aproveitem ao máximo este momento, para exigirem do Estado políticas públicas em prol da cidadanização de nossa população: inclusão educacional e no mundo do trabalho formal, formação de mais pessoas trans em toda a cadeia produtiva da Economia Criativa (não só como atrizes e atores, mas também como roteiristas, diretores, cenógrafos, figurinistas, etc), entre outras iniciativas que já estão pautadas.

E se o Estado não responder, em toda a sua irresponsabilidade e transfobia estrutural, que haja auto-organização, para que, um dia, tenhamos de fato uma comunidade trans aqui no Brasil, ligada pelo compartilhamento de representações em comum e, principalmente, pelo afeto.


Ivan(a), representado pela atriz Carol Duarte.

terça-feira, 8 de agosto de 2017

A Torre Negra

Quadro "Childe Roland to the Dark Tower Came", pintado por Thomas Moran em 1859.

"O jovem cavaleiro Roland à torre negra [sombria, literalmente] chegou,
Dizendo 'Fi, fu e fão,
Cheiro sangue de Inglês'".
Rei Lear (Ato 3, Cena 4), de Shakespeare (1608).

"Lá estavam eles, andando pelos lados da colina, encontrando-se
Para ver o último de mim, um quadro vivo
Para mais um cenário! Em uma folha de fogo
Eu os vi e conhecia a todos. E ainda
Intrigado o calcanhar aos meus lábios trouxe,
E sussurrei: O jovem cavaleiro Roland à torre negra [Idem] chegou'".
Childe Roland to the Dark Tower Came, de Robert Browning (1858).


terça-feira, 25 de julho de 2017

"Orientações sobre Identidade de Gênero" supera 8.000 leituras!

Um marco de divulgação científica e ativismo intelectual, do qual me orgulho:
 

O meu e-book "Orientações sobre Identidade de Gênero: Conceitos e Termos", SUPEROU AS OITO MIL LEITURAS, somente no site ResearchGate! 😀

Ele foi publicado originalmente em 2012, na página do Ser-Tão - Núcleo de Estudos e Pesquisas em Gênero e Sexualidade da Universidade Federal de Goiás: https://www.sertao.ufg.br/n/42117-orientacoes-sobre-identidade-de-genero-conceitos-e-termos


quarta-feira, 12 de julho de 2017

Minhas participações na 15ª FLIP - Festa Literária Internacional de Paraty

Dia 29 de julho, sábado, terei agenda intensa e riquíssima durante a XV FLIP:
 A partir do meio-dia: lançarei a segunda edição, revisada e ampliada, do meu livro HOMOFOBIA: IDENTIFICAR E PREVENIR*¹, e do TRANSFEMINISMO: TEORIAS E PRÁTICAS*² (já na 2ª edição), ambos publicados pela heroica Metanoia Editora (https://www.facebook.com/events/151212092107626)! Encontro vocês na Rua da Lapa, Casa 8 (em frente à Rua do Fogo) - Centro Histórico;
 15h - Lançamento do CATÁLOGO INTELECTUAIS NEGRAS VISÍVEIS, capitaneado pela gloriosa Giovana Xavier e com mediação da irmã em Odé Djamila Ribeiro, na Casa Amado Saramago (http://blogueirasnegras.org/…/intelectuais-negras-visiveis-…); e
 16h15 - Mesa CORPO: ARTIGO INDEFINIDO, mediada pela queridíssima Bianca Ramoneda, na qual conversaremos sobre feminismos, interseccionalidade, gênero na literatura e questões das populações de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Pessoas Trans, Não-Binárias, Intersexuais e Assexuais. UFA! 😅 Assim que o local for confirmado lhes repasso!
Beijas de sororidade! 😘
*¹ Conheça o "Homofobia: Identificar e Prevenir" em http://www.metanoiaeditora.com/loja/index.php…
*² Conheça o "Transfeminismo: Teorias e Práticas em http://www.metanoiaeditora.com/loja/index.php…