domingo, 14 de maio de 2017

Sobre o 13 de maio:

Indico a leitura do meu artigo OLIVEIRA SILVEIRA NA UNB: MEMÓRIA COLETIVA E POLÍTICAS DE INCLUSÃO RACIAL, publicado em 2014 na Revista da Associação Brasileira de Pesquisadores Negros - ABPN.

Nele, eu discuto a construção da memória coletiva do 20 de novembro, Dia Nacional da Consciência Negra, e proponho uma reflexão mais estratégica sobre a importância de nos apropriarmos do 13 de maio, como um momento para retomar o protagonismo negro para a abolição da escravatura:
http://abpn.org.br/revista/index.php/revistaabpn1/article/view/112/109



segunda-feira, 1 de maio de 2017

O Livro Sem Título - Trecho

Vou transcrever um trecho do livro de poesia que publiquei em 2002. Espero que gostem, ele não existe digitalmente:

"VERSÍCULO ONZE
Devo escrever um poema.
No momento, no limite entre a vigília e o sono
Me perco, por isso os olhos generosos
Regam minha camisa branca com um choro lerdo,
Sonolento. Mexo unicamente os dedos,
Para escrever estes versos que sonham o que já se foi:
Ilusões perdidas, ilusões-fundamento-da-vida, mitologias.

VERSÍCULO DOZE
Vagas memórias lendárias,
Profundo sono da consciência.
Virá o dia em que acordarei.
Agora, no livro novo de minha vida,
O passado é personagem principal:
Uma lenda,
Um velho causo que esqueci,
Contado por minha avó.
Recordações de um amor verdadeiro
Furtadas pelo tempo malicioso.
                               *
Forçosamente consigo relembrar
Um falso romance.
Descubro que
                      O portal do coração
Tem um cadeado pesadíssimo!
Poemas de amor feitos de raios de luz
E da lua cheia se dissolvendo em nuvens de seda
Não explicam todas as coisas do amor,
Mesmo quando o som que os anima
É o de uma brisa mágica
Em um lugar há anos desejado.
Alguém certamente espera por alguém
Nesse local místico, tão próximo
Que é possível sentir a pessoa respirar
Próximo ao nosso pescoço,
Causando um tremor secreto.
                               *
Aquela mesma lua, dissolvida e dissolvente
De mim, baila no céu com vestido preto
Radiante de estrelas,
Cobrindo-nos com sua roupa de gala,
Convidando-nos para a festa da noite;
E nos aguarda. Basta você perceber.
                               *
"O que há para se perceber"? Pergunta-me
Você. Nem eu sei a resposta.
                               *
Decida-se, e a cadeia,
Que era destino,
Cairá...
           ...Com as memórias do tempo...
                                                              ...Perdido...
                            ...No labirinto de você.
                               *
Nesse labirinto, presságios o conduzirão,
Intuições, búzios, tarô
Transformados em ciência.
Confusa mandala de um não-sei-
                                                     mundo-para-lá-deste
Convidar-te-á para "dar uma volta"
Nos caminhos aquém dos seus.
                               *
O futuro é um caminho em minha mente.
A memória é uma lágrima do pensamento.
O amor é um buraco negro
No qual o mundo velho é desintegrado
Para reintegrar-se em um mundo novo.
                               *
Por favor, alivia minhas dúvidas
E apazígua meus temores,
Nem que seja com inverdades
Nas quais você piamente acredita,
Tanto que morre de amores por elas.
                               *
A escuridão da ignorância é cada vez mais pro-
funda
Em mim.
Liga a luz de seus olhos e ilumina a estrada
Pela qual trafegaremos.
Caso você me deixe só,
As batidas de meu coração sobressaltado
E o sussurro do vento,
Ouvirei".

JESUS, J.G. (2002). O Livro Sem Título. In: Terceiro Livro (pp. 51-54). Brasília: Thesaurus.

domingo, 23 de abril de 2017

GISBERTA, com Luis Lobianco


Assisti, com amigos (por intermédio de Júlio Moreira, do Grupo Arco-Íris), a peça GISBERTA, estrelada por Luís Lobianco e escrita por Rafael Souza-Ribeiro, em cartaz no CCBB Rio.

Eu tinha um temor prévio, e o confessei a Lobianco, por imaginar que aquela sobre a qual se falava, Gisberta Salce Júnior (mulher trans brasileira assassinada em Portugal, em 2006), seria interpretada por um homem cis (cis é toda pessoa que não é trans).

O que testemunhei foi um espetáculo de extraordinária sensibilidade. Texto, interpretação e ambientação impecáveis. A música presente, ao longo de toda a história, está imbricada na própria vida daquela sobre a qual se fala.

Comentei com Lobianco sobre como sua belíssima atuação (profundamente respeitosa), foi sensível, primorosa: sob uma longa túnica bege que me remetia - curiosamente - aos antigos romanos nas cerimônias fúnebres, e aos medicantes, ele falou de Gisberta a partir das vozes daqueles que a cercavam e dos silêncios de sua existência luminosa, apagada - após longa tortura - no fundo de um poço triangular...

É uma peça para tocar o público e estimulá-lo a ver as vidas das pessoas trans como vidas humanas, ao invés de as invisibilizar, como se costuma fazer; para mostrar, aos que assistem, o cotidiano de uma mulher trans, que sistematicamente tem sua mulheridade questionada.

O martírio de Gisberta se repete centenas de vezes todo ano, em sua nação de origem: o Brasil é o país no qual mais se matam pessoas trans no mundo. Aqui, 90% das mulheres trans e travestis só encontram trabalho na prostituição. Que outro grupo social está tão concentrado em apenas uma ocupação? Apesar disso, pouco se fala de transfobia (preconceito e discriminação contra pessoas trans) por estas terras.

Estou muito grata pelo que pude ver, ouvir e sentir, e espero que muitas outras pessoas possam ser tocadas pela mensagem deste espetáculo precioso, que defende a vida e a felicidade, contra o ódio e a ignorância.

#gisberta

sábado, 8 de abril de 2017

Livro "Feminicídio #InvisibilidadeMata"

O Instituto Patrícia Galvão e a Fundação Rosa Luxemburgo lançaram semana passada, em São Paulo, o livro "Feminicídio #InvisibilidadeMata", do qual sou uma das autoras.

Apresentando resultados de pesquisas que vêm sendo desenvolvidas há anos, essa é uma importante publicação, que terá repercussão internacional, sobre as características dos feminicídios no Brasil, sua denúncia (somos o quinto país que mais mata mulheres, de forma geral, e particularmente o que mais mata mulheres trans no mundo), e a urgência do enfrentamento às violências contra as mulheres.

Buscando ampliar este debate urgente e necessário, o livro foi liberado para download, na íntegra, por meio destes links:

Livro "Feminicídio #InvisibilidadeMata" (em pdf/alta resolução): http://agenciapatriciagalvao.org.br/wp-content/uploads/2017/03/LivroFeminicidio_InvisibilidadeMata.pdf

Livro "Feminicídio #InvisibilidadeMata" (em pdf/tamanho reduzido): http://agenciapatriciagalvao.org.br/wp-content/uploads/2017/04/LivroFeminicidio_InvisibilidadeMata_red.pdf

Abraços,

Profa. Dra. Jaqueline Gomes de Jesus

terça-feira, 4 de abril de 2017

Dia Mundial da Saúde - Organização Pan-Americana da Saúde

Dia Mundial da Saúde - Organização Pan-Americana da Saúde, 3 de abril de 2017
Profa. Dra. Jaqueline Gomes de Jesus (IFRJ) - Depressão e Racismo
Fotos: Alejandro Zambrana




Aula Inaugural: Vamos Brincar de Saúde?

Hoje, às 15 horas, ministrarei a Aula Inaugural deste semestre letivo no Instituto Federal do Rio de Janeiro - IFRJ Campus Realengo!

Segue um gostinho do que preparei para os estudantes, professores, técnicos e demais integrantes da comunidade: