domingo, 22 de outubro de 2017

Ser Trans Não É Doença


2º debate do ciclo Despatologização das Identidades Trans - desafios para a manutenção do acesso à saúde:

SER TRANS NÃO É DOENÇA
26/10/2017, quinta-feira - 19h
Instituto Federal do Rio de Janeiro - IFRJ Belford Roxo

Debatedores:
INDIANARE ALVES SIQUEIRA, Puta e Vereadora Suplente
LEONARDO PEÇANHA, Educador Físico
MARIA EDUARDA AGUIAR, Advogada
SHÉLIDA AYANA, Professora (SEMED Nova Iguaçu)
Mediação: Profa. Dra. JAQUELINE GOMES DE JESUS (IFRJ Belford Roxo)
Abertura Cultural: DIVINA ALOMA

Haverá certificação como atividade de extensão do IFRJ

ONDE FICA O IFRJ BELFORD ROXO?
Av. Joaquim da Costa Lima, s/n (em frente ao 39º Batalhão de Polícia Militar), São Bernardo, Belford Roxo/RJ

COMO CHEGAR?
De Trem desde a Central do Brasil: Ramal Belford Roxo (desça na estação Belford Roxo) + Van Sargento Roncalli ou São Vicente
De Van desde o galpão no posto de combustível atrás da Central do Brasil: Sargento Roncalli ou São Vicente
> Em ambos os casos, desça no ponto de ônibus do Fórum. O IFRJ fica na unidade modular branca e verde no terreno em frente ao Batalhão.

terça-feira, 26 de setembro de 2017

O que é Gênero?

Gênero é um óculos com o qual enxergamos o mundo, mas que a maioria das pessoas não sabe que o usa.

terça-feira, 12 de setembro de 2017

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

CARTA ABERTA

Saudações!

Entrei na Rede Sustentabilidade em 2014, estimulada por amigos íntimos, que eram seus integrantes, e fascinada com as suas propostas de transformação social e política, fundamentadas em um discurso de valorização da diversidade humana, inclusão e sustentabilidade, as quais, a meu ver, seguem válidas.

Desde então, tenho buscado ser uma operária, em prol das iniciativas do partido, considerando minhas limitações de tempo, as quais reconheço, decorrentes do meu trabalho docente, como professora do Instituto Federal do Rio de Janeiro, no município de Belford Roxo, Baixada Fluminense, e do ativismo intelectual nos movimentos de direitos humanos, principalmente os feministas, de mulheres, população negra, de lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais, intersexuais, e pela educação pública, gratuita e de qualidade.

Nesse meio tempo, além de ter feito parte do Comitê de Ética da Rede Carioca (cujas comunicações cessaram sem qualquer explicação), fui nomeada integrante do Conselho Curador da Fundação Rede Brasil Sustentável, que objetiva divulgar os princípios do partido a partir da promoção de estudos sobre inovação na política (a qual ainda não promoveu discussões, entre seus conselheiros, acerca desse ideário).

Chego a um ponto desta caminhada político-partidária em que, somando diferentes episódios, avalio que minha continuação no partido não tem sido aproveitada: não em decorrência das minhas limitações, mas por falta de comunicação assertiva e de orientações regulares sobre os rumos que poderiam ser ou seriam tomados coletivamente e de forma horizontal.

Entendo que tenho muito a contribuir, por meio da militância partidária, para a construção de um Brasil verdadeiramente democrático e socialmente justo, porém não tenho observado que a minha presença na Rede Sustentabilidade faça a diferença – isso por razões aquém ao que penso e faço como afiliada.

Assim, em busca de novos compromissos e rumos, torno pública a minha desfiliação do partido Rede Sustentabilidade.

Estou repleta de vontade para atuar, de forma produtiva, em uma agremiação que me demonstra estar composta por gente consciente dos vários e complexos desafios que nós, cidadãos brasileiros, enfrentamos diariamente, e que se foca em agir, pelos caminhos institucionais, pela formação de um país e um mundo menos desigual. Por isso anuncio a minha filiação ao Partido Verde (PV).

Tomei essa decisão após acompanhar, pessoalmente, as ricas discussões e o empolgante engajamento de seus integrantes, durante o Encontro Nacional da Juventude do PV, ocorrido semana passada, na Cidade de São Paulo.

Enfim, desejo boa sorte aos colegas que permanecem na Rede, determinados a tornarem seus princípios em práticas efetivas.

E expresso, aos meus novos colegas do PV, a mais sincera intenção de, junto a vocês, participar das lutas por outros Brasis e mundos possíveis, sempre respeitando os doze valores do partido: Ecologia; Cidadania; Democracia; Justiça Social; Liberdade; Municipalismo; Espiritualidade; Pacifismo; Diversidade; Internacionalismo; Cidadania Feminina e Saber!

Abraços Verdes,
Jaqueline Gomes de Jesus

Rio de Janeiro/RJ, 11 de setembro de 2017.

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Sobre Ivana de A Força do Querer

Eu me senti aliviada quando a epifania* de Ivan(a) - personagem da novela A Força do Querer, enfim ocorreu: "É isso que eu sou, um homem trans!", eis o discurso com o qual o Ivan(a) se reconheceu.

* Epifania é um termo técnico para o momento em que a pessoa trans se toca da sua identidade de gênero.

Ver e ouvir Elis Miranda e Ivan(a) me deixa mais orgulhosa de ser uma mulher trans - e olha que eu já amo ser uma mulher trans!

Tudo bem que a situação utilizada para explicitar a condição não ocorre na vida "real", isso é o de menos, pois a cena foi extremamente didática - tanto para o personagem quanto, principalmente, para os espectadores leigos. Perfeita linguagem ficcional para quem não tem o mínimo de reflexão sobre gênero, para além do senso comum.

Apesar de falhas conceituais aqui e ali, considero que a novela, como complexa produção audiovisual, escrita e produzida por dezenas de pessoas, tem sido, de forma geral, bastante positiva para a visibilidade trans.

E saibam: eu não escrevo aqui babando a Rede Globo. Não preciso nem quero isso. Apenas acho necessário reconhecer o belo e importante trabalho que tem sido feito (ao contrário das outras emissoras, que nada ou mal têm feito).

A ficção é um campo em que as discussões sobre a população trans são raras, muita informação é produzida em forma de postagens, artigos, ensaios, artigos científicos e até livros, porém muito pouco no formato de filmes, peças, novelas, etc.

Essa área é estratégica para o reconhecimento da humanidade das pessoas trans - algo ainda em construção no Brasil.

Para superar os medos e preconceitos não basta apenas informar, é preciso gerar empatia, por meio do afeto, daquela dimensão que as artes, com o seu saber-fazer, potencializam, para além do verbal, por meio das palavras mas tocando os corações, não só as mentes.

Um dos mais poderosos caminhos para a superação do medo do que não conhecemos - termo técnico: hostilidade autística - é a proximidade, a convivência. Ela não resolve tudo por si só, entretanto torna mais familiar o que antes era estranho ou até mesmo inimaginável.

A presença qualificada de personagens como Ivan(a) e Elis Miranda, com suas possibilidades e limitações, na cena televisiva, aproxima milhares de pessoas cis - que não são trans - das pessoas trans. Isso também é uma forma de convivência, e faz toda a diferença no mundo das relações pessoais.

Recebo com bastante entusiasmo e esperança as repercussões da novela.

Parabenizo Glória Perez e toda a equipe que trabalha para dar coesão a essa obra coletiva, ao mesmo tempo em que insisto para que os movimentos trans - tanto o organizado quanto os autônomos - aproveitem ao máximo este momento, para exigirem do Estado políticas públicas em prol da cidadanização de nossa população: inclusão educacional e no mundo do trabalho formal, formação de mais pessoas trans em toda a cadeia produtiva da Economia Criativa (não só como atrizes e atores, mas também como roteiristas, diretores, cenógrafos, figurinistas, etc), entre outras iniciativas que já estão pautadas.

E se o Estado não responder, em toda a sua irresponsabilidade e transfobia estrutural, que haja auto-organização, para que, um dia, tenhamos de fato uma comunidade trans aqui no Brasil, ligada pelo compartilhamento de representações em comum e, principalmente, pelo afeto.


Ivan(a), representado pela atriz Carol Duarte.

terça-feira, 8 de agosto de 2017

A Torre Negra

Quadro "Childe Roland to the Dark Tower Came", pintado por Thomas Moran em 1859.

"O jovem cavaleiro Roland à torre negra [sombria, literalmente] chegou,
Dizendo 'Fi, fu e fão,
Cheiro sangue de Inglês'".
Rei Lear (Ato 3, Cena 4), de Shakespeare (1608).

"Lá estavam eles, andando pelos lados da colina, encontrando-se
Para ver o último de mim, um quadro vivo
Para mais um cenário! Em uma folha de fogo
Eu os vi e conhecia a todos. E ainda
Intrigado o calcanhar aos meus lábios trouxe,
E sussurrei: O jovem cavaleiro Roland à torre negra [Idem] chegou'".
Childe Roland to the Dark Tower Came, de Robert Browning (1858).


terça-feira, 25 de julho de 2017

"Orientações sobre Identidade de Gênero" supera 8.000 leituras!

Um marco de divulgação científica e ativismo intelectual, do qual me orgulho:
 

O meu e-book "Orientações sobre Identidade de Gênero: Conceitos e Termos", SUPEROU AS OITO MIL LEITURAS, somente no site ResearchGate! 😀

Ele foi publicado originalmente em 2012, na página do Ser-Tão - Núcleo de Estudos e Pesquisas em Gênero e Sexualidade da Universidade Federal de Goiás: https://www.sertao.ufg.br/n/42117-orientacoes-sobre-identidade-de-genero-conceitos-e-termos


quarta-feira, 12 de julho de 2017

Minhas participações na 15ª FLIP - Festa Literária Internacional de Paraty

Dia 29 de julho, sábado, terei agenda intensa e riquíssima durante a XV FLIP:
 A partir do meio-dia: lançarei a segunda edição, revisada e ampliada, do meu livro HOMOFOBIA: IDENTIFICAR E PREVENIR*¹, e do TRANSFEMINISMO: TEORIAS E PRÁTICAS*² (já na 2ª edição), ambos publicados pela heroica Metanoia Editora (https://www.facebook.com/events/151212092107626)! Encontro vocês na Rua da Lapa, Casa 8 (em frente à Rua do Fogo) - Centro Histórico;
 15h - Lançamento do CATÁLOGO INTELECTUAIS NEGRAS VISÍVEIS, capitaneado pela gloriosa Giovana Xavier e com mediação da irmã em Odé Djamila Ribeiro, na Casa Amado Saramago (http://blogueirasnegras.org/…/intelectuais-negras-visiveis-…); e
 16h15 - Mesa CORPO: ARTIGO INDEFINIDO, mediada pela queridíssima Bianca Ramoneda, na qual conversaremos sobre feminismos, interseccionalidade, gênero na literatura e questões das populações de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Pessoas Trans, Não-Binárias, Intersexuais e Assexuais. UFA! 😅 Assim que o local for confirmado lhes repasso!
Beijas de sororidade! 😘
*¹ Conheça o "Homofobia: Identificar e Prevenir" em http://www.metanoiaeditora.com/loja/index.php…
*² Conheça o "Transfeminismo: Teorias e Práticas em http://www.metanoiaeditora.com/loja/index.php…




terça-feira, 11 de julho de 2017

O EUTIVISMO

Tenho questionado, em diferentes fóruns e capacitações Brasil afora, algo que chamo de "eutivismo".
 

O que é isso? Qual é o problema?
 

Sinto que houve uma transição comportamental intensa, desde a transição dos novos movimentos sociais - coletivos de base identitária - para os "novíssimos": uma hiper-individualização, senão personalização, da natureza e prática militante.
 

Faltam ações coletivas que sejam articuladas, no campo dos embates ideológicos e de poder, em termos de políticas públicas.
Sobram louváveis e importantes exposições de posicionamentos pessoais sobre temas relevantes, nas redes sociais e em eventos mil. Que porém ficam só nesse nível - o de escrevinhadores e figuras populares automaticamente intituladas como "ativistas".
 

Eu compreendo. É uma consequência - também - da Sociedade do Espetáculo em que vivemos. Porém me preocupa esse eutivismo, estruturalmente, por estar deslocando o eixo dos movimentos sociais para o dos "porta-vozes sociais", espécie de salvadores da pátria ou bodes expiatórios da preguiça intelectual e alienação política de terceiros, que detrás de seus celulares, nestes depositam sua carga de pensamentos, críticas, iniciativas, organização em torno de um coletivo propositivo.
 

Outro ponto preocupante, para esta chata que vos escreve, é o "opinativismo" associado a essa figura pública, cujas curtas postagens são mais lidas do que textos mais extensos, que aprofundam a discussão em pauta e a contextualizam historicamente.
 

A sanha por falar o que se pensa e marcar posição virtualmente, a todo custo, sem aprofundamento teórico e referenciação a quem já pensou ou está refletindo sobre o que tema X ou Y, tem gerado articulistas que mimeografam seus diários para centenas ou milhares de leitores, o que não é ruim por si só (traz para o campo concreto discussões relevantes), mas que tem sido trabalhado sem amadurecimento - por vezes se configura como um ti-ti-ti pretensioso que só arranha a superfície do seu objeto de análise.
 

Sim, eu sei que estou parecendo rabugenta para alguns, mas considero necessário. E afirmo: os eutivistas do mundo virtual - e do físico - não estão se dando o tempo e a concentração necessários de leitura, para formularem pensamentos e proposições que cheguem a fundo nos porquês e indiquem caminhos possíveis.

terça-feira, 6 de junho de 2017

Símbolo das pessoas Cis Aliadas de pessoas Trans

Autoria: Transgender Graphics. 26 de junho de 2014.

Para quem não sabe, Cis, ou Cisgênero, é toda pessoa que não é Trans, ou Transgênero.
Ou seja, denomina-se Cis a pessoa que se identifica com o gênero
que lhe foi atribuído ao nascimento.
Ao contrário da pessoa trans, que não se identifica com esse gênero atribuído.

terça-feira, 30 de maio de 2017

#Esefosse com Você?

Nesta quarta-feira participarei de evento do UNAIDS que objetiva promover diálogos questionadores sobre responsabilidade social, o papel de cada um e sobre como iremos conseguir frear as novas infecções pelo HIV:

sábado, 27 de maio de 2017

Conferência de Encerramento do Curso "Feministas nas Trincheiras da Resistência"

 Margarida Pressburger (Foto: Pablo Vergara).
 
O Curso de Extensão "Feministas nas Trincheiras da Resistência", do Instituto Federal do Rio de Janeiro - IFRJ Campus Belford Roxo, coordenado pela Profa. Dra. Jaqueline Gomes de Jesus, convida todas e todos para a Conferência de Encerramento desta sua primeira edição, com o tema:

Feministas que enfrentaram a ditadura civil-militar de 1964

Conferencista: Margarida Pressburger
Data: 31 de maio, quarta-feira, das 17h às 19h.
Local: IFRJ Campus Belford Roxo, Av. Joaquim da Costa Lima, 2971, Belford Roxo/RJ

Quem é Margarida Pressburger?
Membro do Alto Comissariado de Direitos Humanos das Nações Unidas (ONU), foi representante do Brasil no Subcomitê de Prevenção à Tortura das Nações Unidas, presidente da Comissão de Direitos Humanos do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), subsecretária de Políticas para Mulheres do Estado do Rio de Janeiro e presidente do Conselho Estadual da Mulher.

Telefone: (21) 3293-6078
Site: http://www.facebook.com/cursofeministas

domingo, 14 de maio de 2017

Sobre o 13 de maio:

Indico a leitura do meu artigo OLIVEIRA SILVEIRA NA UNB: MEMÓRIA COLETIVA E POLÍTICAS DE INCLUSÃO RACIAL, publicado em 2014 na Revista da Associação Brasileira de Pesquisadores Negros - ABPN.

Nele, eu discuto a construção da memória coletiva do 20 de novembro, Dia Nacional da Consciência Negra, e proponho uma reflexão mais estratégica sobre a importância de nos apropriarmos do 13 de maio, como um momento para retomar o protagonismo negro para a abolição da escravatura:
http://abpn.org.br/revista/index.php/revistaabpn1/article/view/112/109



segunda-feira, 1 de maio de 2017

O Livro Sem Título - Trecho

Vou transcrever um trecho do livro de poesia que publiquei em 2002. Espero que gostem, ele não existe digitalmente:

"VERSÍCULO ONZE
Devo escrever um poema.
No momento, no limite entre a vigília e o sono
Me perco, por isso os olhos generosos
Regam minha camisa branca com um choro lerdo,
Sonolento. Mexo unicamente os dedos,
Para escrever estes versos que sonham o que já se foi:
Ilusões perdidas, ilusões-fundamento-da-vida, mitologias.

VERSÍCULO DOZE
Vagas memórias lendárias,
Profundo sono da consciência.
Virá o dia em que acordarei.
Agora, no livro novo de minha vida,
O passado é personagem principal:
Uma lenda,
Um velho causo que esqueci,
Contado por minha avó.
Recordações de um amor verdadeiro
Furtadas pelo tempo malicioso.
                               *
Forçosamente consigo relembrar
Um falso romance.
Descubro que
                      O portal do coração
Tem um cadeado pesadíssimo!
Poemas de amor feitos de raios de luz
E da lua cheia se dissolvendo em nuvens de seda
Não explicam todas as coisas do amor,
Mesmo quando o som que os anima
É o de uma brisa mágica
Em um lugar há anos desejado.
Alguém certamente espera por alguém
Nesse local místico, tão próximo
Que é possível sentir a pessoa respirar
Próximo ao nosso pescoço,
Causando um tremor secreto.
                               *
Aquela mesma lua, dissolvida e dissolvente
De mim, baila no céu com vestido preto
Radiante de estrelas,
Cobrindo-nos com sua roupa de gala,
Convidando-nos para a festa da noite;
E nos aguarda. Basta você perceber.
                               *
"O que há para se perceber"? Pergunta-me
Você. Nem eu sei a resposta.
                               *
Decida-se, e a cadeia,
Que era destino,
Cairá...
           ...Com as memórias do tempo...
                                                              ...Perdido...
                            ...No labirinto de você.
                               *
Nesse labirinto, presságios o conduzirão,
Intuições, búzios, tarô
Transformados em ciência.
Confusa mandala de um não-sei-
                                                     mundo-para-lá-deste
Convidar-te-á para "dar uma volta"
Nos caminhos aquém dos seus.
                               *
O futuro é um caminho em minha mente.
A memória é uma lágrima do pensamento.
O amor é um buraco negro
No qual o mundo velho é desintegrado
Para reintegrar-se em um mundo novo.
                               *
Por favor, alivia minhas dúvidas
E apazígua meus temores,
Nem que seja com inverdades
Nas quais você piamente acredita,
Tanto que morre de amores por elas.
                               *
A escuridão da ignorância é cada vez mais pro-
funda
Em mim.
Liga a luz de seus olhos e ilumina a estrada
Pela qual trafegaremos.
Caso você me deixe só,
As batidas de meu coração sobressaltado
E o sussurro do vento,
Ouvirei".

JESUS, J.G. (2002). O Livro Sem Título. In: Terceiro Livro (pp. 51-54). Brasília: Thesaurus.

domingo, 23 de abril de 2017

GISBERTA, com Luis Lobianco


Assisti, com amigos (por intermédio de Júlio Moreira, do Grupo Arco-Íris), a peça GISBERTA, estrelada por Luís Lobianco e escrita por Rafael Souza-Ribeiro, em cartaz no CCBB Rio.

Eu tinha um temor prévio, e o confessei a Lobianco, por imaginar que aquela sobre a qual se falava, Gisberta Salce Júnior (mulher trans brasileira assassinada em Portugal, em 2006), seria interpretada por um homem cis (cis é toda pessoa que não é trans).

O que testemunhei foi um espetáculo de extraordinária sensibilidade. Texto, interpretação e ambientação impecáveis. A música presente, ao longo de toda a história, está imbricada na própria vida daquela sobre a qual se fala.

Comentei com Lobianco sobre como sua belíssima atuação (profundamente respeitosa), foi sensível, primorosa: sob uma longa túnica bege que me remetia - curiosamente - aos antigos romanos nas cerimônias fúnebres, e aos medicantes, ele falou de Gisberta a partir das vozes daqueles que a cercavam e dos silêncios de sua existência luminosa, apagada - após longa tortura - no fundo de um poço triangular...

É uma peça para tocar o público e estimulá-lo a ver as vidas das pessoas trans como vidas humanas, ao invés de as invisibilizar, como se costuma fazer; para mostrar, aos que assistem, o cotidiano de uma mulher trans, que sistematicamente tem sua mulheridade questionada.

O martírio de Gisberta se repete centenas de vezes todo ano, em sua nação de origem: o Brasil é o país no qual mais se matam pessoas trans no mundo. Aqui, 90% das mulheres trans e travestis só encontram trabalho na prostituição. Que outro grupo social está tão concentrado em apenas uma ocupação? Apesar disso, pouco se fala de transfobia (preconceito e discriminação contra pessoas trans) por estas terras.

Estou muito grata pelo que pude ver, ouvir e sentir, e espero que muitas outras pessoas possam ser tocadas pela mensagem deste espetáculo precioso, que defende a vida e a felicidade, contra o ódio e a ignorância.

#gisberta

sábado, 8 de abril de 2017

Livro "Feminicídio #InvisibilidadeMata"

O Instituto Patrícia Galvão e a Fundação Rosa Luxemburgo lançaram semana passada, em São Paulo, o livro "Feminicídio #InvisibilidadeMata", do qual sou uma das autoras.

Apresentando resultados de pesquisas que vêm sendo desenvolvidas há anos, essa é uma importante publicação, que terá repercussão internacional, sobre as características dos feminicídios no Brasil, sua denúncia (somos o quinto país que mais mata mulheres, de forma geral, e particularmente o que mais mata mulheres trans no mundo), e a urgência do enfrentamento às violências contra as mulheres.

Buscando ampliar este debate urgente e necessário, o livro foi liberado para download, na íntegra, por meio destes links:

Livro "Feminicídio #InvisibilidadeMata" (em pdf/alta resolução): http://agenciapatriciagalvao.org.br/wp-content/uploads/2017/03/LivroFeminicidio_InvisibilidadeMata.pdf

Livro "Feminicídio #InvisibilidadeMata" (em pdf/tamanho reduzido): http://agenciapatriciagalvao.org.br/wp-content/uploads/2017/04/LivroFeminicidio_InvisibilidadeMata_red.pdf

Abraços,

Profa. Dra. Jaqueline Gomes de Jesus

terça-feira, 4 de abril de 2017

Dia Mundial da Saúde - Organização Pan-Americana da Saúde

Dia Mundial da Saúde - Organização Pan-Americana da Saúde, 3 de abril de 2017
Profa. Dra. Jaqueline Gomes de Jesus (IFRJ) - Depressão e Racismo
Fotos: Alejandro Zambrana




Aula Inaugural: Vamos Brincar de Saúde?

Hoje, às 15 horas, ministrarei a Aula Inaugural deste semestre letivo no Instituto Federal do Rio de Janeiro - IFRJ Campus Realengo!

Segue um gostinho do que preparei para os estudantes, professores, técnicos e demais integrantes da comunidade:


quinta-feira, 30 de março de 2017

Eu Marcho Porque

Vídeo realizado a pedido da Revista Cláudia, para participação em transmissão online sobre o Dia Internacional das Mulheres, em que eu falo sobre por que eu marcho nessa data!


Gravação feita por Raphael Argento de Souza, com o apoio de Fábio Soares da Silva.

domingo, 19 de março de 2017

Inimigo Oculto

Peça itinerante sobre violência doméstica:
www.facebook.com/inimigoocultoteatro

#espetaculoinimigooculto #ciaciclus #violenciadomestica #violenciacontraamulher #relacionamentosabusivos #transfobia #visibilidadetrans #igualdadedegenero #teatro


sábado, 18 de março de 2017

Curso de extensão "Formação em Direitos Humanos para o Atendimento ao Público"

Ministrado por servidoras da Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ e esta professora do Instituto Federal do Rio de Janeiro - IFRJ que vos escreve.

Objetivo geral: aproximar trabalhadores que estejam diretamente relacionados ao atendimento ao público nos serviços de saúde, educação, assistência social e organizações não governamentais, sindicais, comunitárias e outros.

Público-alvo: agentes comunitários de saúde, assistência social, educação e demais trabalhadores, estudantes e interessados.




sexta-feira, 17 de março de 2017

Cotas para Negras e Negros

Hoje falei, aos integrantes da Comissão de Verificação da Autodeclaração de servidores da Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ, sobre a minha experiência na Comissão Julgadora do histórico Sistema de Cotas para Negras e Negros da Universidade de Brasília - UnB!






quarta-feira, 15 de março de 2017

Corpo: Artigo Indefinido


É fundamental que uma empresa de comunicação e entretenimento, como a Globo, preocupe-se cada vez mais com a formação de seus profissionais para a valorização da diversidade humana. Aplausos!

Infelizmente a querida Djamila Ribeiro não poderá mais participar da mesa comigo.

Para além desse dia de atividades, as ações de cunho educacional em gênero prosseguem no dia seguinte, com Helena Vieira e Priscilla Bertucci, entre outros especialistas.

Esta ação é interna, restrita aos profissionais criativos e convidados da organização.

domingo, 12 de março de 2017

Menino 23 em Brasília

Em Brasília, o documentário "Menino 23" será exibido:

No Conselho Federal da OAB, dia 13 de março, às 14h;
No Teatro dos Bancários, dia 13 de março, às 19h; e
No Auditório do Bloco C do Instituto Federal de Brasília - IFB, na Asa Norte, às 19h do dia 14 de março.

O documentário trata de um caso de escravidão de crianças negras órfãs, em uma fazenda brasileira, durante o Estado Novo, a partir do depoimento do "Menino 23", uma das crianças escravizadas sobreviventes.

As exibições são gratuitas e serão seguidas de debate com a presença da produtora do filme, Rossana Giesteira; do Presidente da Comissão Nacional para a Verdade sobre a Escravidão, Humberto Adami; e da Professora Jaqueline Gomes de Jesus, do Instituto Federal do Rio de Janeiro. 

Para a exibição no IFB, inscreva-se aqui e assine a lista de presença, no dia do evento, para receber seu certificado de participação:
https://docs.google.com/a/etfbsb.edu.br/forms/d/e/1FAIpQLSe1cUE2DSx8JALjqu28whh7cWU4fR-cD8VYjsTmX-ml_LWNew/viewform?c=0&w=1



quarta-feira, 8 de março de 2017

Medalha Chiquinha Gonzaga para Jaqueline Gomes de Jesus

Estão todas(os) convidadas(os)!
Será neste 8 de março, quarta-feira, às 18 horas!



terça-feira, 7 de março de 2017

Candidatas selecionadas para o Curso de Extensão "Feministas nas Trincheiras da Resistência"

1. Aline de Oliveira Braga
2. Aline dos Santos Silva
3. Ana Clara Aguis da Roza
4. Ana Paula Pereira do Nascimento
5. Andrea Lugo Nectoux
6. Andrea Luísa Souza Pandin
7. Carla Augusta da Silva de lima
8. Carla Fernanda de Oliveira Silva
9. Cristina Medeiros Reis
10. Daiana Roberta Silva Gomes
11. Debora Paula de Oliveira
12. Fabiana Mendes Folly
13. Fabiana Souza Azeredo
14. Fabrinny Gonçalves Gomes Santos
15. Flávia Diniz dos Santos
16. Gabriele Lacerda Oliveira
17. Gisele Machado Vieira do Nascimento
18. Lidiane de Melo Costa
19. Lilian de Paula
20. Maria Alice Sarmento Jarcem
21. Nilzete Ramos dos Santos
22. Noêmia Maristela Farias da Silva
23. Priscila Fernandes da Silva
24. Priscila Vasconcelos Lins
25. Renata de Souza Silva
26. Rhayane Mirandela de Andrade da Rocha
27. Rugeanne Abreu da Conceição
28. Silene Orlando Ribeiro
29. Simone Souza Martins
30. Simone Vilela Aragão

AULA INAUGURAL:
8 de março, 4ª feira, às 18 horas, na Câmara Municipal do Rio de Janeiro (Cinelândia) - Entrega da Medalha Chiquinha Gonzaga (Cheguem com antecedência, a lotação é limitada).

Atenciosamente,

Profa. Dra. Jaqueline Gomes de Jesus
Instituto Federal do Rio de Janeiro - IFRJ

sábado, 4 de março de 2017

Medalha Chiquinha Gonzaga para Jaqueline Gomes de Jesus

Receberei a Medalha Chiquinha Gonzaga em 8 de março, Dia Internacional das Mulheres, às 18 horas.
Você está convidada(o)! 
http://tinyurl.com/jatdk5n


sexta-feira, 3 de março de 2017

Medalha Chiquinha Gonzaga para Jaqueline Gomes de Jesus

Com muito orgulho informo que fui agraciada com a MEDALHA CHIQUINHA GONZAGA, por indicação da maravilhosa Vereadora Marielle Franco!

A Medalha de Reconhecimento Chiquinha Gonzaga é conferida, pela Câmara Municipal do Rio de Janeiro, a mulheres que reconhecidamente tenham se destacado em prol das causas democráticas, humanitárias, artísticas e culturais.

Todas e todos estão convidadas/os para a Cerimônia de Entrega, que ocorrerá em 8 de março, Dia Internacional das Mulheres, às 18 horas!

O evento será aberto ao público. Recomendo que cheguem cedo para conseguirem lugar.

A Câmara é localizada na Cinelândia, Rio de Janeiro/RJ.



quinta-feira, 2 de março de 2017

Menino 23 em Brasília

Irei a Brasília, para debater o filme "Menino 23", nos dias 13 e 14 de março:
13 de março - 14h: Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil - OAB (não aparece no cartaz)
13 de março - 19h: Sindicato dos Bancários
14 de março - 19h: Instituto Federal de Brasília - IFB



quarta-feira, 1 de março de 2017

Amor e Sexo - 02/03


Oi, pessoal!

Enfim, nesta 5ª feira, 2 de março, será exibido o programa "Amor e Sexo", na TV Globo, sobre identidades de gênero e orientações sexuais!

Estou ansiosa para ver como ficou a edição final. Adorei a gravação (pra quem não sabe, fui convidada, dei orientações prévias e durante, mas não respondi nenhuma pergunta no programa. Não sei se vocês me verão na plateia)!

Creio que o produto final será esclarecedor, fundamentalmente inclusivo, sem deixar de ser bonito e bastante divertido!

Saibam mais em: http://gshow.globo.com/tv/noticia/amor-sexo-discute-identidade-de-generos-e-todas-as-formas-de-amor.ghtml

domingo, 26 de fevereiro de 2017

Fórum Corpo: Artigo Indefinido - Rede Globo


No dia 21 de março estarei nos Estúdios Globo, para ministrar capacitação sobre gênero, voltada a profissionais criativos da emissora e convidados!

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Curso de Extensão "Feministas nas Trincheiras da Resistência"


CURSO DE EXTENSÃO “FEMINISTAS NAS TRINCHEIRAS DA RESISTÊNCIA”

“Feministas nas Trincheiras da Resistência” é um curso de extensão, em nível introdutório, sobre histórico, fundamentação teórica básica e aplicações práticas do Feminismo, com foco nos feminismos contemporâneos, a ser ofertado a mulheres da região metropolitana do Rio de Janeiro, considerando a conjuntura local de lutas feministas.

Público-Alvo: Mulheres da região metropolitana do Rio de Janeiro (será considerada apenas a identidade de gênero: bastará se reconhecer como mulher para poder concorrer a vaga).

Limite máximo de vagas: 30 (trinta).

PRÉ-REQUISITO PARA SELEÇÃO: Apresentação de relato descrevendo os motivos de seu interesse no curso e quais são suas expectativas com o mesmo. Essa exposição de motivos será avaliada. Serão selecionadas as candidatas que indicarem maior engajamento para participação nas atividades.

10 aulas presenciais semanais, às quartas-feiras, das 16h às 18h, com exceção da Aula Inaugural, prevista para ocorrer das 18h às 20h.
Aulas à distância: 2 horas semanais de leituras, vídeos e atividades no AVA.
Carga horária total: 40 horas.

Inscrições até as 18 horas de 2 de março de 2017
Divulgação das participantes selecionadas: 03 de março de 2017

Início do curso (Aula Inaugural): 08 de março de 2017
Previsão de término do curso: 24 de maio de 2017

Objetivo Geral: Introduzir mulheres na discussão teórico-metodológica de diferentes linhas de pensamento e ação feministas, contextualizadas pelas práticas de mulheres feministas.

AVALIAÇÃO: Ao longo do curso, as participantes registrarão suas experiências e percepções, o mais detalhadamente possível, em um Caderno de Bordo, que as acompanhará durante a formação. O registro sistemático das trajetórias e experiências no referido caderno, no qual se deverão apresentar reflexões acerca de situações-problemas apresentadas, constituir-se-á no principal dispositivo para acompanhamento pedagógico e avaliação individual das cursistas.

INSCRIÇÕES AQUI:
https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSfNilFliUgqSWKft3QapQclIpSPR0UpbsigPa5Cpxu6iD5RLQ/viewform

Coordenadora: Profa. Dra. Jaqueline Gomes de Jesus
Instituto Federal do Rio de Janeiro - IFRJ Campus Belford Roxo

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Psicologia Social e Movimentos Sociais - 500 leituras

Meu artigo "Psicologia Social e Movimentos Sociais: Uma Revisão Contextualizada", publicado pela revista Psicologia e Saber Social (UERJ, 2012), alcançou 500 leituras por meio da plataforma ResearchGate.


Você pode lê-lo na página original:
http://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/psi-sabersocial/article/view/4897

Ou em:
http://www.researchgate.net/publication/235653000_Psicologia_Social_e_Movimentos_Sociais_Uma_Revisao_Contextualizada